Armadilhas de taxas das low cost: o guia afiado para voar na Ryanair e easyJet sem surpresas

Laura
Armadilhas de taxas das low cost: o guia afiado para voar na Ryanair e easyJet sem surpresas
Foto de Valeriia Miller em Unsplash

A Ryanair faturou €2,1 mil milhões em receitas auxiliares no exercício fiscal de 2024. Isso inclui bagagem, lugares, snacks, aluguer de carros e seguros vendidos a bordo — mas a parte mais interessante é que uma fatia considerável deste valor veio de passageiros que não planearam pagar esse dinheiro. Compraram um bilhete de €25 e chegaram ao mostrador com uma fatura de €87.

Isto não é crítica — é análise. O modelo de negócio das low cost europeias é deliberado, transparente em letra pequena, e extremamente eficaz a extrair valor de passageiros que não leram as regras. Quem as lê voa barato. Quem não lê subsidia os outros.

A anatomia de um bilhete low cost: onde esconde o dinheiro

A taxa que mais apanha (e que não parece uma taxa)

Lugar selecionado. A Ryanair, easyJet, Wizz Air e Vueling vendem lugares como opcional pago. Isto é sabido. O que é menos sabido é o que acontece se não pagar: os algoritmos de alocação automática têm padrões não anunciados.

Na Ryanair, passageiros que não selecionam lugar são frequentemente alocados em filas traseiras (32–33) — as últimas a embarcar, com menos espaço para bagagem de mão no compartimento superior. Isto é deliberado: cria pressão para pagar a seleção de lugar na próxima viagem.

Para grupos e famílias, a alocação automática frequentemente separa os passageiros — o que funciona como incentivo silencioso a pagar a opção "assento junto ao grupo" que a Ryanair vende por €4–6 por pessoa. Para um casal, isso é €8–12 por segmento, ou €16–24 num bilhete de ida e volta.

O que fazer: Se não se importar com a fila nem com separação, não pague. A alocação automática não é aleatória mas também não é punição — é apenas subótima. Se viajar com crianças, a Ryanair é obrigada por regulamento europeu a colocá-las junto aos adultos sem custo adicional — exija isso no check-in se necessário.

Check-in no aeroporto: a taxa de €55 que está nas condições gerais

A Ryanair cobra €55 por pessoa pelo check-in feito no balcão do aeroporto, em vez de online. Esta é a taxa mais violenta do modelo e a que mais apanha passageiros desatentos.

O check-in online da Ryanair abre 60 dias antes do voo e fecha 2 horas antes da partida. Se esquecer, ou se o telemóvel morrer antes de fazer o check-in, a consequência é imediata e cara.

A easyJet é mais gentil: cobrava £55 por check-in no aeroporto até 2023, mas reduziu a política e agora o check-in no aeroporto é mais caro mas não catastrófico — cerca de £35 por pessoa.

A Wizz Air cobra €30 por check-in no aeroporto.

O que fazer: Faça check-in online sempre, idealmente 24h antes do voo. Configure um alarme no telemóvel. O check-in da Ryanair demora 90 segundos.

A taxa de pagamento que afeta todos os cartões (exceto um)

A Ryanair cobra €2 por bilhete para qualquer pagamento por cartão. Num bilhete de ida e volta para duas pessoas, isso é €8. Não parece muito, mas é literalmente uma taxa por usar o método de pagamento universal.

O único cartão isento é o cartão pré-pago Mastercard da Ryanair (emitido pela Wirecard antes, agora com parceiro diferente). Além desse, pode usar crédito de conta Ryanair sem taxa.

A easyJet não cobra taxa de pagamento desde 2018 (mudança regulatória na UE proibiu surcharges em cartões de débito e crédito standard em 2018). A Ryanair encontrou uma forma de cobrar na mesma, classificando a taxa como "taxa de processamento" em vez de "taxa de cartão" em certas jurisdições.

O que fazer: Aceite a taxa ou use cartão de crédito com cashback suficiente para compensar — cartões como o Revolut Metal ou o Amex Platinum têm cashback de 0,5–1% que pode cobrir a taxa em compras maiores.

Bagagem de porão: o múltiplo que destrói a poupança

O preço de bagagem de porão varia dramaticamente consoante quando adiciona e como adiciona:

Momento de compra (Ryanair) Mala 20 kg Mala 10 kg
Na compra do bilhete (online) €18–35 por segmento €8–12 por segmento
Gestão da reserva (depois da compra) €25–45 por segmento
No check-in online €40–60 por segmento
No aeroporto (no check-in) €60–80 por segmento

A mesma mala pode custar €18 ou €80 dependendo do momento em que adiciona. A diferença entre adicionar na compra e adicionar no aeroporto é €45–62. Em dois segmentos, é €90–124.

O que fazer: Decida sobre bagagem antes de completar a compra do bilhete. Se tiver dúvida, adicione e depois remova na gestão da reserva (há janela de tempo para isso) — mas nunca chegue ao aeroporto sem ter definido a situação da bagagem.

easyJet: as diferenças que importam

A easyJet é geralmente considerada mais transparente do que a Ryanair, e na maioria dos pontos é. Mas tem as suas próprias particularidades:

Limite de peso da bagagem de mão. A easyJet não pesa formalmente a bagagem de mão na maior parte dos aeroportos — mas reserva-se o direito de o fazer. O limite oficial é 15 kg para o saco de cabine. Em épocas de lotação máxima (agosto, feriados nacionais), começou a aplicar este limite mais rigorosamente em alguns aeroportos como LIS e OPO. Um saco de 17 kg pode ser obrigado a ser despachado no gate, ao preço do porão no aeroporto.

Speedy boarding. O easyJet vende embarque prioritário por €5–10 por segmento, que inclui garantia de espaço para bagagem de mão no compartimento superior. Sem isto, em voos cheios, pode ver o seu saco colocado no porão gratuitamente na porta de embarque — mas depois não o encontra no tapete rolante, está junto com a bagagem de porão.

Mudar de voo. A easyJet cobra €30–60 para mudar data de voo, mais a diferença de tarifa. Isto está na maioria das condições gerais mas é ignorado na compra impulsiva. A Ryanair cobra igualmente, com estrutura similar.

Wizz Air: o modelo mais agressivo do mercado europeu

A Wizz Air opera num segmento de mercado ultra low cost que a maioria dos viajantes portugueses encontra em rotas do Leste Europeu, Médio Oriente ou Mediterrâneo Oriental. As suas taxas são as mais agressivas do mercado europeu no momento atual.

Wizz Priority: €8–20 por segmento para embarque prioritário + saco de cabine no compartimento superior. Sem isto, só pode levar a peça pequeníssima que cabe debaixo do assento (40×30×20 cm).

Wizz Flex: Um add-on de €20–40 que permite cancelar com reembolso total em crédito Wizz. Não inclui reembolso em dinheiro — apenas crédito para usar em reservas futuras, com validade de 90 dias.

Wizzair Discount Club. Subscrição anual de €39–49 que dá acesso a preços 10% mais baixos e taxas de bagagem reduzidas. Faz sentido para quem voa com a Wizz mais de 4 vezes por ano.

O cálculo honesto antes de reservar qualquer low cost

Antes de clicar em "reservar" em qualquer bilhete de companhia low cost, faça este exercício mental:

  1. Levo bagagem de porão? (+€18–80 por segmento)
  2. Preciso de um lugar específico ou junto a alguém? (+€4–15 por segmento)
  3. Tenho check-in online configurado? (€0 se sim, €30–55 se não)
  4. Qual é a taxa de pagamento? (+€0–4 total)
  5. Qual é o aeroporto de chegada e que custo tem o transfer para o centro? (+€5–35)

Some tudo. Compare com uma companhia de rede que inclui tudo. Às vezes a low cost ganha mesmo assim. Às vezes não ganha por muito. Às vezes a diferença é ridícula.

O preço base do bilhete é apenas o início da conversa. A Flyozo monitoriza preços base em tempo real — o exercício de adicionar extras e comparar o custo total fica sempre consigo, mas pelo menos começa com o melhor preço base possível. Por 24 euros por ano, isso já paga a si próprio na primeira reserva.

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